O meu nome é Paulo Freire Ramos, nasci em Luanda a 20 de Maio de 1975. Sou de signo Touro de signo embora tenha uma grande influência de gémeos. Nestes 41 anos, já fiz de tudo um pouco. Desde servente de pedreiro, vendedor, paquete, mau diretor de empresa a melhor diretor de empresa. Li e devorei centenas de livros na área de desenvolvimento pessoal, vendas, espiritualidade, metafisica, religião, entre outros. Frequentei cursos superiores de Direito e Filosofia. Tirei cursos de Coaching, Programação Neurolinguística, marketing de internet, e muito mais… Já fui um péssimo amante, hoje sou muito melhor…Já fui bem mais ingénuo do que sou hoje…E infelizmente já não acredito no Pai Natal…Todavia, acredito no ser humano. Acredito na magia da crença, do pensamento, dos sentimentos, das emoções e da ação em sintonia com os anteriores. Acredito que somos energia. Acredito no poder da criação…Acredito que somos divinos. Que não existe separação entre nós e tudo o resto. Acredito insofismavelmente que todos fazemos parte integrante da mesma unidade.

Uma autobiografia?

Parti do pressuposto que o objetivo de uma autobiografia seria perceber como encarava o meu próprio desenvolvimento até hoje. Como teria sido o meu percurso pessoal e profissional? Como me encaixava na pele da minha pessoa? Será que tinha feito um bom trabalho? Será que aprendi com os meus sucessos? Ou com os meus fracassos? Será que valeu a pena?

Desde os montes do Cacém em que observava a planície da minha escola primária até aos dias de hoje, tanta coisa se passou. Seria interminável o meu depoimento. A minha vida pode ser definida como parte de um excerto da filosofia da dialética transcendental de Hegel. Passei por várias fases. A fase da Tese, Antítese e Síntese. Estas fases foram reformuladas várias vezes. Olhando para trás, a experiência acabou por criar sínteses dos meus principais ciclos de vida. Acabei por criar teses das sínteses e antíteses das teses sobre as sínteses…

Confuso?

Imaginemos que a nossa vida é como o sistema solar. O ano é feito de ciclos. Hoje, com os foguetões e as naves espaciais, podemo-nos afastar bastante da Terra. Observamos que esta se desloca em torno do Sol. Que dá uma volta completa em 365 dias e 6 horas. O ano tem 365 dias e 6 horas, que é aproximadamente o tempo que a Terra demora a dar uma volta em torno do Sol. Por isso, no nosso calendário existem anos com 365 dias e anos com 366 dias. Depois do ciclo completo. Voltamos ao mesmo…Começa tudo de novo. A nossa vida funciona um pouco assim. A nossa consciência (Terra) gira em torno dos nossos ideais ou expectativas (Sol). Quando damos uma volta de 360º à nossa vida, terminamos um ciclo. Na nova volta, podemos optar por prosseguir a mesma linha de orientação, ou optar por uma rutura, começando tudo novamente. Ainda que não alcancemos os nossos objetivos, a simples luta por um ideal maior cria um futuro mais enriquecedor. Antoine de Saint-Exupéry escreveu que “os ideais são como as estrelas, podemos não as alcançar, mas guiam o nosso destino”…

Hoje sou um indivíduo vivendo numa dialética transcendental em busca da felicidade da alma. Sinto-me mergulhado num pantanal Nietzschiano, numa encruzilhada entre a morte de Deus e o nascimento de um novo homem. Um novo ser personificando todos os seus poderes ilimitados através da mente e da linguagem. Embora acredite que sou abençoado por tudo o que já conquistei e perdi, sinto querer mais. Um inconformismo exacerbado que me leva algumas vezes à agonia. Há bem pouco tempo, percebi que a dor tinha origem em ter-me esquecido dos meus ideais. Dos meus objetivos e pensamentos maiores. Costumo dizer que a minha cabeça é uma autoestrada. Na minha desorganização, consigo conscientemente recordar-me de tudo. Como não organizo as ideias, não estabeleço prioridades, fico completamente esgotado. No entanto, o meu inconsciente grava tudo. Só mais tarde venho a perceber que me esqueci de efetuar tarefas importantes. Este é um dos meus fracassos: A organização. Habituei-me tanto a recordar de tudo ao mesmo tempo, que me esqueço de sair do meu campo de conforto. Escrever no papel. Criar métodos, estabelecer prioridades. É realmente uma luta interna todos os dias. Penso que aceitar um defeito é meio caminho andado para o corrigir. Por isso, vou lutando para melhorar de dia para dia. Sou um lutador em tudo o que faço. Desde que acredite no que estou a fazer. Sou um competidor nato. Não porque por ser uma pessoa forte, mas porque ganho armaduras para as minhas fraquezas. Aprendi a criar barreiras ao que me faz mal até deixar ser importante. Mato o mal pela raiz. Sou apaixonado de uma forma egoísta. Amo de formas diferentes, em diferentes intensidades. Amo a todos. Desconheço o ódio e evito o rancor. Opto no entanto por focar a minha atenção nas relações empenhadas. Quero dizer com isto, que opto por valorizar quem dá valor à minha companhia. Não por gostar mais desta ou daquela pessoa, mas simplesmente porque me fazerem sentir importante. Abraço a pureza de sentimentos e a sinceridade. Prefiro uma verdade que magoe que uma mentira que me faça feliz. Não gosto de viver na mentira, simplesmente porque menti durante demasiado tempo. Para mim a verdade é o caminho. Mesmo que seja sinuoso. As pessoas são a minha inspiração. A minha felicidade depende um pouco da essência do sumo que espremo das pessoas. Tento não criar expectativas, mas faço-o por vezes. Embora seja criticado por ser demasiado altruísta, não me vejo como tal. A felicidade do ser humano, faz-me feliz. Não porque sou melhor do que os outros, mas porque acredito que o amor é uma energia eterna. Esta não pode ser retida. É o seu desígnio ser partilhado. É esse o nosso legado. Julgo que o altruísmo é abdicar de si mesmo para amar os outros. Não me considero altruísta. De uma forma egoísta, coloco-me no primeiro lugar. O amor que sinto por mim é muito grande. Não consigo deixar de o partilhar. Não porque me sinto carente, mas porque me sinto abençoado. Não se pode dar algo que não se tem. É como uma chama que se propaga. Posso considerar-me um pirotécnico das relações humanas. Acho inocentemente que todas as pessoas têm uma placa na testa a dizer “faz-me sentir importante”. Criei uma síntese entre o egoísmo e o altruísmo. Como egoísta tenho o hábito ou a atitude de colocar os meus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar. Como altruísta, vejo o outro lado do espelho. Vejo que existe uma pessoa emissora e simultaneamente recetora. Consigo colocar-me no outro lado. Como é óbvio, é preciso uma boa dose de argumentação para me convencer. Sou cauteloso no discurso. Mais uma vez criei uma armadura para a batalha das palavras. Fui muitos anos criticado por ser demasiado explosivo. De falar antes de pensar. Hoje é-me difícil não controlar o meu discurso. Claro que sou humano e é impossível controlar 100%. Adapto-me facilmente à pessoa que está à minha frente. Faço-as sentir importantes para quebrar barreiras. Tenho o péssimo defeito de induzir a solução dos seus problemas, através das minhas próprias soluções. A indução explica-se pela capacidade de levar as pessoas a pensar como eu através das suas cabeças. Por vezes torno-me manipulador.

Tenho um pouco alergia à falta de conteúdo. Não me revejo em pessoas com falta de personalidade. O vazio do ser humano para mim é digno de desinteresse. Dou mais valor a um pescador que emana experiência nos seus atos, do que às palavras de um guru que não ecoam humildade. Não acredito numa confiança contrária à humildade. Acredito fundamentalmente que a experiencia ganha-se de uma forma consistente. Através de uma abertura mental, que nos leva ao conhecimento e consequentemente a uma confiança generalizada das nossas convicções. Sou basicamente espiritual. Busco respostas a perguntas existenciais: Quem somos? Donde vimos? Para onde vamos? Como vamos? Continuo a ser explosivo. A minha mãe sempre me falou que tinha tido uma fratura craniana quando era miúdo. A minha cabeça era tão grande que me fez cair da cama. Tive quase às portas da morte. Os médicos fizeram uma previsão. Poderia ficar com o sistema nervoso afetado (tiques nervosos, explosões de humor), ser um pouco deslocado da normalidade. Finalmente teria possivelmente dificuldades de aprendizagem. Pois bem, adivinharam tudo. Sou uma síntese de todas essas falhas. As dificuldades de aprendizagem irritavam-me. Por isso esforçava-me mais que os outros. Os tiques nervosos sempre foram alvo de piadas engraçadas. Os meus nervos levaram-me a partir a cabeça umas vinte vezes. A deslocar a mão e os ossos das mãos várias vezes. A fazer roturas de ligamentos. Também me criaram conflitos com amigos e com pessoas que não mereciam sofrer a minha ira descontrolada. A maturidade da idade dá-nos uma maior reflexão e uma maior controlo sobre todos esses aspetos. Acabamos por buscar algo mais do que o confronto inerente com o exterior…Deixamos de abraçar a pró-atividade externa para abraçarmos uma atividade que seja pró-ativa na sua manifestação interna…Acredito mais no divino e no poder que todos temos para alcançar a divindade, ainda que em vida, é claro…Todos buscamos descobrir essa corrente, esse fluxo de energia, esse vortex, esse flow que faz com que nos sintamos interligados com o nosso verdadeiro EU. Esse talvez seja o meu legado…Descobrir as formas de nos introduzirmos nesse campo magnético, conectado ao nosso Eu mais profundo, bem como procurar, ao serviço do próximo que outros encontrem a sua própria pedra filosofal, o seu santo graal, a sua identidade mais pura.