Macieira

A felicidade está no caminho…

Na minha última viagem a Barcelona em 2015 , no conforto do meu quarto escrevi:

«…já é a quarta vez que cá venho…realmente uma cidade brutal…por curioso, aquilo que passei até agora traz-me sempre episódios diferentes…já vi cá em “24 horas le mans” com o meu irmão Fábio…24 horas sem dormir…grandes malucos…carrinhas brancas Vito a 100km/hora numa tour que só durava até à próxima paragem…aquela que iriamos aguentando. Essa viagem ensinou-me muito sobre a vida e sobre a conquista das nossas metas…por mais que soubéssemos o destino e a meta final, sabíamos as dificuldades que iriamos encontrar…Afinal de contas, 12 horas ida e outras 12 hora de volta exigiam algum tipo de planeamento, agendamento de rotas e de marcações de estadia, paragem para refeições…Não é? Errado…A malta doída dos cornos vai e pronto e não faz muito planeamento…Para quê planear quando se pode improvisar…Tudo bem, sou apologista que devemos traçar metas e devemos saber como é que devemos lá chegar…mas porra é tão bom não ter planos e fazer com que as coisas aconteçam…ok…irresponsável…imaturo, má gestão de vida…iá…também…ok…já sei que vão dizer que se falhas no planeamento estás a planear para falhar…mas queres saber uma coisa fantástica, a gente chegou ao fim…ficamos todos fodidos, movidos a cacauetes , a cafés e a red bulls..mas chegamos ao fim…a meta era carregar um material em Barcelona e levar de volta para entregar no dia seguinte numa obra em lisboa…e voila…os irresponsáveis superaram o desafio…E agora vais questionar…Sim, mas podia ter corrido mal…Claro…Mas não correu…Sem planeamento, sem ideias pré-concebidas, sem estudo aprofundado de rotas, só mera destreza e muitos cohones….Como diz o meu amigo João, macho que é macho, não bebe leite, come a vaca…e a gente espremeu aquela estrada que vai de Barcelona para Saragoça em raios de 50km…O regresso foi simplesmente horroroso….tava todo acabado. Eu como sou cota queria dormir numa pensão nos arredores de Barcelona…O meu irmão Fábio contrapôs, “ah e tal, vamos dormir daqui a 50 km…” E na realidade foram os 50 km mais longos da minha vida…Continuamos mais 50 km, e mais 50km e nunca mais terminamos até chegar a Lisboa. A vida ensina-os que se tiveres um objetivo muito longo a atingir ou que te pareça muito complicado, o mais fácil é dividir essa grande tarefa em pequenas parcelas, e ir fazendo uma a uma….E só assim se conseguem descortinar grandes problemas, efetuar grandes feitos e superar grandes obstáculos….Um de cada vez, devagar devagarinho até…sem dar por isso. Chegarmos ao objetivo final… E não é que pareceu tão simples…Claro que neste exemplo, não foi fácil, aliás foi extremamente exigente superar tantos km de forma seguida…mas no final valeu a pena…No fim, festejas, dás um abraço ao destino e agradece por teres conquistado o objetivo…Mas agora ao olhar para trás, não vejo nem a partida, nem a chegada…só me lembro do sacrifício e do caminho…O que é que podemos tirar daí? Talvez que na nossa vida o mais importante não seja o atingir as metas, mas as pessoas que escolhemos ser nos trilhos que optamos para lá chegar…Confuso? Talvez…Saint Exupéry dizia que os ideais são como as estrelas, nunca as alcançamos, mas guiam o nosso destino…É isso a única coisa que realmente interessa…No fundo, é o sumo que esprememos da laranja que irá determinar o que nos vamos tornar e o que vamos conseguir…De que vale estar tão obcecado pelo destino, se não olhamos pela janela para observar o caminho…Esta merda de ser um robot é bastante complicada…O dalai lama tem razão naquela famosa frase de que “vivemos como se fossemos morrer amanhã e morremos como se nunca tivéssemos vivido… Eu próprio já fui vitima desse caso análogo de me ultrapassar a mim mesmo na minha contemplação e a passar a viver em caixa de mudança automática…Não olhar para nada, viver unicamente para os objetivos, comprar casa, casar, ter filhos, ir para o trabalho, sair do trabalho. Um corrupio de vida com pouca existência, de fraco conteúdo…ok…é horroroso dizer isso da nossa ex mulher e dos nossos filhos…claro que não são nada disso…os meus filhos são o melhor que me aconteceu na vida e todos os dias dão significado à minha vida…a minha exmulher deu-me o melhor que pode no caminho que nos cruzamos até que cada um traçou o seu destino…O casamento diz-nos que a velha máxima de que só não podemos mudar de pais, irmãos e filhos é absolutamente verdade…tudo o resto muda com a flutuação inesperada das nossas vidas…Pensamos que controlamos tudo, no entanto não controlamos absolutamente nada…Escolhes um caminho, optas por algo e o rio flui absolutamente de acordo com as tuas opções, atitudes e orientações…Não sou contra os planos ou compromissos…Mas sou um pouco avesso a compromissos falhados e a planos que não resultaram…A maior parte das pessoas parece insistir em manter algo só porque parece bem, só porque têm medo de assumir que falharam…Mas que porra, não existe o falhar ou o acertar, existe só o viver, o aprender, o evoluir…Não somos tão diferentes do resto da natureza. Gosto de pensar, que somos como as árvores…Quando a raiz é fraca a tendência é esmorecer e morrer à primeira ventania…Eu sei disto porque já plantei o raio de uma macieira…Ok…Ainda não deu fruto…Mas houve alturas em que a tive que regar todos os dias porque tinha medo que ela fosse tão frágil que não aguentasse uma rabanada de vento. Com o tempo, as raízes foram afundando no solo, segurando-a mais contra o núcleo da terra, buscando a humidade em zonas mais profundas…O seu tronco foi alargando. Crescendo em altura, os seus ramos foram-se potencializando e transformaram-se em frágeis ramos que mal segurariam uma flor, quanto mais uma maçã…Olhando para a sua fragilidade inicial, ninguém diria que seria capaz de ultrapassar todos os obstáculos naturais que teve que enfrentar…Mas sabem que mais…o raio de Ema trinca espinhas safou-se contra todas as expetativas. A Ema hoje em dia tem raízes fortes, um tronco forte de meter inveja aos pinheiros (treta) e ramagens capazes de suster qualquer maçã digna desse nome…Ok…ainda não tem fruto, mas tenho fé nela…Ainda acredito que me irá dar muitos filhos, mesmo depois de ter sido transferida de local.

Atualidade: Tem graça, este ano de 2016 que passou deu-me as suas primeiras duas maçãs pequeninas. Claro que não tive coragem de as colher…Estava à espera que ficassem grandiosas…Todavia, houve alguém que achou que não devia procrastinar na colheita do fruto proibido e lá colheu as taditas… Irei esperar para o ano e talvez me presenteie com mais filhotes…

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